A dor crônica desafia a lógica puramente estrutural. Em muitos casos, o tecido já passou por reparo, os exames não explicam a intensidade da queixa e a função segue limitada por uma experiência dolorosa persistente.
Dor é uma experiência produzida pelo sistema nervoso a partir de múltiplas informações: ameaça percebida, memória, sensibilização, sono, estresse, movimento, crenças e contexto de vida.
Isso não torna a dor “psicológica” ou “inventada”. Pelo contrário: torna a avaliação mais séria, porque exige compreender como o corpo organiza proteção.
Quando o tecido não explica tudo, o fisioterapeuta precisa investigar irritabilidade, mecanossensibilidade, controle motor, tolerância à carga e comportamento da dor ao longo do tempo.
A conduta deve respeitar o sistema. Às vezes a prioridade é modular dor; em outros momentos, recuperar mobilidade, fortalecer, educar ou reorganizar exposição ao movimento.
Pacientes com dor persistente precisam entender o que acontece. Uma boa explicação pode reduzir ameaça, melhorar adesão e abrir espaço para progresso terapêutico real.



